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A tribo dos Dandys

 

 

O Dandismo nasce em inglaterra, no século XVIII,  e na sua origem é impossível não falar de Beau Brummel, mestre da elegância, que ficou célebre pela sua arte de fazer nós de gravata, usar luvas e falar muito bem.

Figura titular do termo, era imitado e foi pai de uma grande descendência de discípulos.  O seu estilo atravessou a Mancha, e seduziu Paris.  Surge depois Alfred D’Orsay, um intermediário entre as duas culturas, que alimentava os círculos privados de Paris com as novidades vindas de Londres. 

 

Com Byron aparece uma divisão entre o dandismo mundano e o dandismo literário, os primeiros dedicados a uma vida luxuosa, os segundos dedicados á literatura.

 

Os últimos Dandys de fins do seculo XIX foram Óscar Wilde e Marcel Proust, mas pelo meio passaram nomes como Beaudelaire,  Barbey, e a critica de Balzac com os seus textos sobre o Dandy falhado.  Hoje nenhuma figura do jet-set, ou da moda, consegue imitar os princípios imortais de Beaudelaire, as máximas de Barbey ou até o estilo e postura de Brummel.

 

 

 

Mas o  que caracteriza um dandy?

 

O Dandy é um homem preocupado com o seu estilo e forma de estar em sociedade. Na sua origem, o Dandy não seguia nenhum estilo, pois considerava ser o estilo em pessoa, desde o vestuário à forma de se comportar.  Pretendia ser um homem distinto, com classe, discreto e anónimo. 

Hoje em dia isso alterou -se e dão nas vistas por se vestirem de forma diferente.  Querem ser DIFERENTES.  Preocupam-se muito com o seu visual, o vestuário, linguagem, cultura e forma de estar polida em sociedade. São de vários sítios do país e de diversas profissões.

 

Fotografias do Blog O Alfaiate Lisboeta

 

Em Portugal temos a tribo dos Portuguese Dandys.

Paulo Batista, um alfaiate à moda antiga, reuniu um grupo de amigos que, tal como ele, cultivam o gosto pelo estilo apurado, pela roupa cuidada, pela linguagem refinada e pela diversão com elegância e estilo. É o primeiro clube português dirigido aos apreciadores desta estética.  São 13 fundadores mas qualquer um pode pertencer, desde que seja Dandy! Oriundos de diferentes partes do país e até do estrangeiro , e com atividades profissionais variadas como gestão de empresas, alfaiataria, moda, música ou fotografia, os fundadores têm em comum o estilo e a nacionalidade portuguesa. Gostam de se diferenciar e que reparem neles, ao contrário do dandy original que era discreto.

 

Esta é uma tribo que se assume como humilde, virada para o outro e para o mundo. Vivem em Portugal, têm orgulho no que se produz no nosso país e vêm o seu estilo capaz de levar o bom nome de Portugal e a moda nacional além fronteiras. Inspirados pelo revivalismo do passado, aliado a uma certa nostalgia, querem relembrar os tempos de outrora em que o homem dandy era cuidado e muito polido, educado e culto.  Provem de origens humildes mas afirmam que o bom gosto não se compra.

Preocupam-se com temas sociais, como o racismo, a xenofobia e estão focados em tratar bem os outros, de forma respeitosa para criarem um mundo melhor.  São narcisistas, mas no sentido de cuidarem na imagem, porque nas atitudes pretendem ser altruísta e cordiais.

Usam uma aparência á moda antiga á qual fizeram um up grade através das tecnologias que usam diariamente para se conectarem e se mostrarem ao mundo.

 

 

 

 

Para eles o valor reside na forma como se vestem e na cultura que vão adquirindo. A forma como se vestem é o seu instrumento de distinção social. Levam em consideração a parte intelectual e cultura, e é da complexidade desta composição que emerge o seu capital simbólico. A tribo dos dandys portugueses é motivada pelo lado estético, que impulsiona o olhar dos outros e que satisfaz o desejo de ser olhado. Através da diferença no vestuário eles criam a sua própria identidade.

 

Apesar de muitos provirem de origens humildes, encontraram uma forma de mostrar que parecer bem nada tem a ver com poder de compra.

Bem vestir não tem a ver com poder monetário mas sim com bom gosto.

Os Dandys Portugueses usam fatos completos, muitas vezes com colete, em padrões clássicos ou xadrez. Complementam o coordenado com sobretudos clássicos . As luvas, os chapéus, os lenços e os cachecóis complementam o estilo dandy.  Além do estilo vintage, os Portuguese Dandys também gostam de carros antigos. Usam o vestuário com corte clássico mas criativo nas combinações, bastante acessorizado e com cores e padrões mais invulgares no vestuário clássico. Gostam de relógios de bolso antigos, de sapatos oxford ou derby com  brogue.  Recorrem ao papillon e as gravatas, e se possível mandam confeccionar os fatos em alfaiatarias á moda antiga, que depois combinam com peças mais acessíveis ou vintage.

 

 

Num post muito em breve falaremos dos Dandys do Congo. 

 

 

 

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